Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Em Espanha, o Hospital de Torrejón, em Madrid, que é gerido pelo grupo privado Ribera Salud, que por cá gere o Hospital de Cascais, está envolvido num enorme escândalo.
No El País surgiu a notícia de denúncias de práticas destinadas a aumentar os lucros em detrimento da qualidade e acessibilidade aos cuidados de saúde. A administração deu instruções para aumentar as listas de espera, reduzir a actividade e ordenou não atender pacientes que não pertencem à área de cobertura do hospital, mas que, por lei, podem ser atendidos, se os processos não fossem rentáveis. Os diretores e gerentes do hospital que denunciaram estas práticas foram despedidos.
A Comunidade de Madrid, responsável pela concessão, realizou uma inspeção, mas negou ter encontrado irregularidades ou evidências de más práticas, atribuindo o caso a "contendas internas".
O escândalo gerou um forte debate político em Espanha sobre os riscos da gestão privada da saúde pública, com o Governo do PSOE a exigir o fim da concessão e a abertura de inquéritos pela Inspeção de Saúde.
A lei da gestão dos hospitais surgiu em 1997, aprovada pelo governo do PP de José María Aznar.
Marcelo Rebelo de Sousa, na 2ª feira, entrada nas urgências do Hospital de São João, no Porto, devido a uma indisposição (paragem digestiva). Afinal era uma hérnia encarcerada e foi logo operado na noite de 2ª feira.
A hérnia encarcerada ocorre quando uma porção de um órgão (normalmente o intestino) fica presa numa abertura da parede abdominal, sem conseguir regressar ao seu lugar, o que requer intervenção médica imediata.
Marcelo teve alta ontem à hora de almoço e encontra-se a recuperar no Palácio de Belém.
As viagens que iria fazer a Madrid e ao Vaticano ficam adiadas.
Já não é a 1ª vez que politicos de direita, quando têm problemas de saúde, recorrem ao Serviço Nacional de Saúde. Têm feito tanto para o destruir e quando estão aflitos não recorrem aos privados que tanto têm apoiado.
A Ministra da Saúde Ana Paula Martins mentiu no Parlamento sobre a morte da grávida guineense no Hospital Amadora - Sintra.

Na 6ª feira disse que casos como este dizem "maioritariamente" respeito a grávidas que "nunca foram seguidas durante a gravidez, que não têm médico de família" e que são "recém-chegadas a Portugal, com gravidezes adiantadas". Acrescentou ainda que as grávidas "não têm dinheiro para ir ao privado, grávidas que algumas vezes nem falam português e que não foram preparadas para chamar o socorro" e que "nem telemóvel têm".
Hoje ficou a saber-se que tudo era mentira. Afinal a senhora foi a 2 consultas de vigilância de gravidez, e tinha autorização de residência em Portugal.
Isto não é suficientemente grave para que Luís Montenegro demita Ana Paula Martins?
Um homem de 49 anos com um traumatismo craniano foi transportado por um helicóptero da Força Aérea e terá demorado mais de 5 horas desde o Hospital da Covilhã até aos Hospitais da Universidade de Coimbra.

O Ministério da Saúde e o INEM não deram explicações. O Ministério da Defesa desmente que a demora tenha sido de mais de 5 horas. Segundo o Ministério da Defesa, o helicóptero demorou 2h15m desde que descolou do Montijo até entregar o doente em Coimbra.
Parece que desde que se iniciaram os contactos entre os hospitais passaram 2h até que se chamaram os bombeiros para ajudar na transferência, pois o helicóptero pesado da Força Aérea que partiu do Montijo não podia aterrar no heliporto do hospital da Covilhã. Depois do helicóptero aterrar no aeródromo de Coimbra, o doente foi transportado de ambulância para o hospital.
Se fosse logo de ambulância teria demorado certamente menos tempo.
Foto do site do Jornal de Notícias.
Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias.
A poucos dias de uma moção de confiança ao governo que pode levar à queda do Governo, o Conselho de Ministros aprovou ontem uma resolução que abre caminho à conversão de 5 hospitais em parcerias público-privadas. O governo quer que a gestão privada regresse a Braga, Loures, ao Amadora-Sintra e Vila Franca de Xira. O hospital Garcia de Orta, em Almada, que esteve sempre sob gestão pública, também é para ser uma PPP.
Na conferência de imprensa a seguir ao Conselho de Ministros, a ministra da Saúde não esteve presente.
Os presidentes das câmaras onde os hospitais estão localizados dizem que não foram ouvidos.
Não sei se a ministra sabe que já há um hospital privado ao lado do Garcia da Horta e a meia dúzia de km do Hospital de Vila Franca vai abrir um hospital privado.
O antigo Ministro da Saúde Manuel Pizarro disse ao Público que o "anúncio parece-se mais com uma desculpa para as dificuldades que o Ministério da Saúde tem tido do que um plano estruturado para melhorar o SNS". O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares Xavier Barreto diz que há mais dúvidas do que certezas, lembrando que o contexto actual é diferente do de há 20 anos, quando avançaram as primeiras PPP.
Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias.
Depois da demissão de Gandra D’Almeida por acumulação ilegal de funções quando era director da delegação regional do Norte do INEM, o governo já escolheu o novo CEO do SNS. Gandra D’Almeida, antes de assumir o cargo assinou uma declaração em que garantiu não ter impedimentos, nem incompatibilidades. O governo diz que não sabia de nada.
Álvaro Santos Almeida foi o nome escolhido pelo Governo. Tem 60 anos e era Professor na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Foi presidente da Entidade Reguladora da Saúde entre 2005 e 2010, assumido depois a liderança da Administração Regional de Saúde do Norte, tendo se demitido do cargo um ano depois, por não concordar com o governo do PS. Nas autárquicas de 2017, foi cabeça de lista do PSD/PPM à Câmara Municipal do Porto. Também foi deputado entre 2019 e 2022.
Vamos ver como se vai sair Álvaro Santos Almeida como novo CEO do SNS, numa altura em que o Serviço Nacional de Saúde está com tantos problemas.
No dia 30 de outubro os Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar iniciaram uma greve às horas extraordinárias para pedir a revisão da carreira e melhores condições salariais. O salário dos TEPH no INEM é de 920 € no início da carreira.
Na 2ª feira o INEM deixou mais de mil chamadas por atender. Na última semana, pelo menos 7 pessoas terão morrido em consequência dos atrasos no atendimento do 112.
A greve só foi suspensa na 5ª feira, após um acordo para uma negociação com a ministra da saúde.
A ministra da saúde diz que foi surpreendida pela greve dos TEPH mas tinha sido avisada informada pelo sindicato vários dias antes. Luís Montenegro também veio dizer que não sabia da greve.
Pedro Nuno Santos pede a demissão da ministra.
No domingo Marques Mendes dizia no Jornal da Noite que o problema com as Urgências de Obstetrícia se devia à "falhas de organização e gestão".
Apresentou 3 números que são muito esclarecedores: segundo a OCDE, de a 2015 a 2024 passámos de 9 para 15 mil milhões de euros no financiamento do SNS, que por 100 mil habitantes estamos na média da União Europeia em relação a médicos obstetras e que em 2000 havia 1336 médicos obstetras e em 2022 o número era de 1966, com o número de nascimentos a passar de 120v mil para 84 mil.
Para mim a conclusão é simples o problema são os hospitais privados que estão a dar cabo do SNS. A quantidade de hospitais privados que há actualmente em Portugal tem aumentado brutalmente e claro que precisam de médicos, que vão buscar ao SNS. No entanto, se surgirem problemas mais complicados de resolver encaminham os doentes para o SNS.
Esta semana 5 serviços de urgência de Ginecologia e Obstetrícia estão fechados, a maior parte na região de Lisboa. Os hospitais privados têm certamente os seus serviços a funcionar.
Se fosse hoje, se calhar, Luís Montenegro escolheria outra pessoa para a pasta da Saúde. Ana Paula Martins é já a ministra que está mais desgastada.
O mapa das urgênicias para o Verão está dar muito que falar. Os constrangimentos são muitos. Na 1ª versão do mapa, nem havia nenhuma urgência de Ginecologia e Obstetrícia aberta no distrito de Setúbal até 5ª feira.
Os médicos queixam-se da desorganização.
As declarações infelizes no Parlamento sobre as administrações hospitalares já levaram a demissões.
Ontem andou a visitar hospitais na região da grande Lisboa.
O governo anunciou ontem o nome do novo CEO do SNS. Trata-se do Tenente-coronel António Gandra d’Almeida.
A Ministra da Saúde diz que se trata de "um jovem que dará uma resposta muito ligada ao terreno" e que "está muito habituado à organização e à operação no terreno em condições adversas"
Gandra d’Almeida é licenciado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e até Janeiro foi director da Delegação Regional Norte do INEM. Desempenhou também "funções de chefia de equipa em serviço de Urgência e participou em vários eventos multi-vítimas e de catástrofe”, tendo participado em “missões internacionais de apoio humanitário”.
Não me parece que seja a melhor escolha. Só um militar pode coordenar o SNS?
Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias